Meu nome é Carolina, e enquanto escrevo esse texto, começo a refletir sobre tudo o que estamos vivenciando. Já perdi a conta de qual dia da quarentena estou (sim, este blog é fruto da quarentena) e ainda sigo tentando entender tudo o que está acontecendo. Acho que praticamente todo dia antes de dormir eu torço para que tudo isso tenha sido um sonho passageiro, e que ao acordar, tudo já vai ter se resolvido. Quem me dera….Mas você deve estar se perguntando, qual a relação entre uma pandemia e um blog?
Bom, antes de responder essa pergunta, talvez eu deva me apresentar um pouco (vai ficar mais fácil de entender, acredite!).
Sabe quando você pergunta para uma criança o que ela quer ser quando crescer, e ela te dá as respostas mais inusitadas possíveis? Pois é, eu sempre disse que iria trabalhar com moda. Obviamente, com o tempo eu fui desenvolvendo essa ideia, e foi no jornalismo de moda que eu encontrei um caminho para seguir as minhas maiores paixões, mas pode ter certeza que essa sementinha sempre esteve dentro de mim!
Escrever é a minha maneira de me colocar no mundo, de me enxergar, e de me autoconhecer. A escrita tem um efeito libertador em mim!
Entretanto, crescer é um desafio, principalmente quando você é adolescente e tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Parece que a gente nunca vai conseguir, e por conta disso, acabamos deixando algumas coisas de lado. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Quando eu percebi, havia abandonado aquilo que mais me fazia bem: a escrita. Mas, se tem uma coisa que eu acredito firmemente, é que nunca é tarde para dar o primeiro passo. E é isso que eu estou fazendo agora!
Talvez aquela pergunta do começo passe a fazer mais sentido. O meu dia a dia tava muito corrido, e tudo o que eu mais queria era esse tempo para finalmente encontrar a oportunidade de retomar projetos que significam tanto para mim. Eu acredito que toda crise tem algum aspecto positivo, mesmo que seja o mínimo, mas cabe a nós saber tirar proveito disso, e, principalmente, de refletirmos nossas escolhas, tendo a incrível possibilidade de nos reinventarmos!
E é exatamente isso que esse blog representa para mim: ter coragem de mergulhar no desconhecido fazendo o que eu mais amo, escrever!
Eu estou prestes a embarcar em uma nova aventura que, certamente, irá trazer muitos aprendizados! E isso, definitivamente, é algo pelo qual eu sou fascinada: aprender. Acho que não há sensação mais genuína de estar cada vez mais conectada com o mundo que vivemos e comigo mesma!
Vou ficando por aqui, mas você já está convidado à fazer parte desse espaço que falará sobre diversos assuntos, como moda, arte, livros, entre outros.
Querido leitor, eu espero que você aproveite essa viagem tanto quanto eu!
2020. Que ano mais louco e, ao mesmo tempo, extremamente desafiador. Um ano que exigiu coragem para tomar decisões, e paciência para compreender e aceitar aquilo que não podemos controlar. Mas, sobretudo, um ano que me mostrou a inconstância da vida, e como é essencial ser grata e saber aproveitar cada momento e oportunidade!
Das poucas certezas que eu tenho na vida, a moda é uma delas. O meu maior sonho desde criança, trabalhar nessa área sempre foi a minha verdadeira ambição e, desde então, tenho me dedicado incansavelmente a estudar essa arte tão fascinante.
No início desse ano, tinha uma convicção: passar na tão sonhada faculdade de jornalismo, para futuramente trabalhar com jornalismo de moda. Entretanto, no fundo, eu sabia que havia algo me incomodando. Veio a pandemia e, com ela, a incerteza do futuro. Durante esses meses, em meio ao caos que havia se instalado, procurei focar a minha atenção em outras coisas e, com isso, comecei a estudar o mercado de moda, cada vez mais. Li livros, artigos e pesquisas, me aprofundei em cases de sucesso, e fiz muuuita pesquisa. Também mandei mensagens para diversas pessoas, que estão inseridas nesse mercado, e pelas quais tenho imensa admiração. Muitas não responderam, mas cada resposta que eu recebia me preenchia de alegria, me motivando a aprender muito mais.
Essas pesquisas me fizeram perceber o dinamismo presente nesse mercado tão amplo. No Brasil, as faculdades de moda são centradas no estilismo, uma das áreas que eu sempre soube que não gostaria de atuar. Além disso, refleti sobre qual área eu realmente desejaria atuar, percebendo que a redação de uma revista já não era mais o meu grande desejo. E foi aí que, após muita pesquisa e pensar muito, me encontrei em Publicidade e Propaganda. A princípio, tive receio se era a escolha certa a ser feita. Pesquisei as possíveis áreas de atuação, comparei as grades curriculares das faculdades e analisei as características que o mercado mais exige. Não tive dúvidas. Foi amor à primeira vista. E hoje, recebi uma das melhores notícias do ano: fui aprovada no curso de Publicidade e Propaganda do Mackenzie, faculdade que ganhou o meu coração!
Que loucura pensar em quanta coisa mudou em menos de 1 ano. Apesar das dificuldades ao longo do caminho, foi um ano crucial para o meu amadurecimento. Aprendi que nunca é tarde para recomeçar, e sair da nossa zona de conforto é essencial. Um dos “lemas” que eu carrego comigo, é que a escolha certa é aquela que acalma o coração, e eu não poderia estar mais feliz com essa mudança.
A 2020, o meu mais sincero agradecimento. A 2021, que seja um recomeço lindo, repleto de aprendizados me guiando no caminho que escolhi!
Há alguns dias, li um provérbio oriental que despertou o meu interesse: “Bons tempos criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis, mas tempos difíceis criam homens fortes e homens fortes criam bons tempos”. Para mim, essa citação sintetiza, perfeitamente, o constante processo de avanços e retrocessos no qual a humanidade está inserida. Nesses últimos tempos (no caso, anos), uma nova “tendência” se tornou extremamente recorrente: o Politicamente correto. Para os adeptos desse comportamento, o principal objetivo é estabelecer termos e ações que possam ser entendidas como “ofensivas” e “opressoras” à terceiros, principalmente no que se diz respeito às minorias sociais, com o objetivo de eliminá-los. Entretanto, os defensores dessas atitudes realmente estão preocupados em criar uma atmosfera harmoniosa para a sociedade como um todo, ou somente para aqueles que compartilham dos mesmos ideais?
É fato que uma das grandes marcas da atualidade é a tentativa desesperada de solucionar os problemas sociais e proteger as chamadas “minorias”. É indiscutível que a sociedade ainda se encontra em um cenário repleto de preconceitos e desrespeito, todavia, é importante ressaltar os perigos dessas condutas. Para mim, uma grave consequência acerca da questão da existência de “vítimas sociais”, é a terceirização da culpa. As pessoas estão em um processo de delegar o próprio fracasso para terceiros. Escapar de assumir as próprias responsabilidades e, principalmente, de expor o verdadeiro “eu”, está criando pessoas emocionalmente frágeis, que não sabem argumentar. Afinal, é muito mais confortável se colocar em uma posição desfavorecida, do que trabalhar duro para conquistar seus objetivos. Obviamente, vivemos em uma sociedade em que nem todos possuem os mesmos privilégios. Contudo, ao invés de desperdiçar o tempo se lamentando, talvez seja hora de ter iniciativa e criar sua própria oportunidade, se adaptando aos diversos meios existentes, oferecendo resultados e, sobretudo, ter coragem de reconhecer suas próprias parcelas de culpa.
Fonte: Pinterest
Afinal, qual é a relação entre isso e o “Politicamente Correto”?
As pessoas que se autodenominam como “politicamente corretas” podem ser consideradas adeptas da máxima “os fins justificam os meios”, uma vez que para criar uma esfera “segura” para os indivíduos vulneráveis, utilizam meios que não podem ser considerados tão pacíficos assim. Episódios de coerção, constrangimentos e “cancelamentos” tornam-se cada vez mais comuns, pois os cidadãos que não seguem fielmente a filosofia do “politicamente correto”, são julgados como o verdadeiro desgosto da sociedade, responsáveis por tudo que há de errado no mundo. Mas será que essas pessoas realmente são as vilãs? Gostaria de entender como adotar um comportamento em massa pode ser a solução que a sociedade necessita. Delimitar que, para ser considerado uma pessoa “boa” é necessário defender uma única conduta, significa que as pessoas estão cada vez mais alienadas e desorientadas.
Sempre que eu penso em “Politicamente Correto”, me recordo do livro “1984”, de George Orwell. O romance distópico, apresenta uma sociedade regida por um governo autoritário, na qual há a presença da manipulação pública. Um dos pontos que me marcou no livro, foi a presença da “Novilíngua” (ou “novafala”), um recurso utilizado naquela sociedade como uma maneira de “sintetizar” e “remover” palavras e seus sentidos prévios. Logo, mediante o domínio da linguagem, seria possível controlar os pensamentos alheios, evitando o surgimento de ideias “inconvenientes”. A obra é um exímio retrato da realidade na qual estamos inseridos atualmente, uma vez que o “Politicamente correto” restringe uma das maiores belezas da vida: a nossa liberdade de expressão.
O mundo tornou-se um lugar em que verdades já não podem ser ditas, pois são consideradas “dolorosas”. Mas como as pessoas vão aprender com os erros, se insistem em viver dentro de uma “bolha”?
O “politicamente correto” é responsável por massacrar pessoas e carreiras que não condizem com o pensamento dominante. É um movimento fundamentado na hipocrisia, uma vez que exclui os indivíduos que têm determinação de assumir as próprias falhas e escolhas e, em especial, aqueles que são corajosos para se expressarem livremente, sem ter receio da opinião alheia.
Vivemos em um mundo habitado por bilhões de pessoas, provenientes de culturas e valores distintos, logo, é impossível que não haja desavenças, estranhezas e depreciações. No entanto, ao invés de lutar para criar um ambiente “confortável” somente para alguns, através de meios que intimidam, as pessoas deveriam se esforçar em verdadeiramente dialogar com as diferenças, pois como disse Francesco Petrarca, escritor e humanista italiano, “Tal, censurando os outros, condena-se a si mesmo”.
Caro leitor, retomando o provérbio que citei inicialmente, gostaria de deixar uma reflexão: como o mundo poderá evoluir, se não somos inteiramente livres para nos expressarmos?
Quando publiquei um texto falando sobre a “Cultura do Cancelamento” e como é ser adolescente no século 21 (na minha visão, claro!), recebi um feedback muito positivo e, como também adoro falar sobre esses temas atuais, decidi trazer algumas considerações e questionamentos, que eu acredito serem extremamente importantes!
A era na qual vivemos é, sem dúvidas, marcada por um intenso cenário político. Como uma estudante prestes a concluir o ensino médio e alguém que adora estar inteirada sobre diversos assuntos (afinal, conhecimento nunca é demasiado!), procuro sempre analisar os “dois lados da mesma moeda” e, a partir disto, buscar compreender as motivações e consequências dos diversos posicionamentos existentes.
Até um determinado momento do meu ensino fundamental, eu não tinha consciência do contexto político brasileiro. Entretanto, a partir do 8° ano, comecei a conviver com pessoas de diferentes realidades, o que me fez amadurecer muito. Foi aí que eu comecei a entender o básico, afinal, política não é um assunto recorrente numa roda de pré-adolescentes no auge de seus 12/13 anos (risos!). Entretanto, o verdadeiro choque ocorreu no minuto em que eu ingressei no ensino médio. Percebi que, para ser uma pessoa informada, com habilidade para discutir sobre diversos assuntos e defender os meus pontos de vista, teria que correr atrás de muita informação e conhecimento, em prol de alicerçar minhas próprias posições. No momento em que tive esse insight, nunca imaginei a “decepção” que eu teria futuramente.
Você deve estar se perguntando: “como assim ‘decepção’?”. Pois é, foi exatamente isso que você leu. A partir do momento em que eu comecei a estudar e me dedicar a entender as minhas convicções, me deparei com uma esfera totalmente polarizada, na qual, se você não pensa de acordo com a maioria, o esforço para se expressar livremente terá que ser o triplo, afinal, o respeito às opiniões diversas parece estar fora de moda atualmente.
Sinceramente, eu sempre achei o embate entre direita e esquerda meio banal, uma vez que política é muito mais que isso. Vivemos em um mundo repleto de várias teorias, os mais diversos autores e pensamentos, logo, eu não consigo entender como alguém pode limitar o próprio pensamento ao se afirmar como X ou Y. Entretanto, apesar de eu considerar esse aspecto como um ponto fundamental, não é o objetivo desse texto defender os meus pensamentos políticos.
O que verdadeiramente me preocupa, no momento atual, é que as pessoas deixaram de respeitar as opiniões alheias. Admito que, por muito tempo, no ambiente escolar, deixei de comentar várias coisas, pelo simples fato de que o meu pensamento divergia dos meus colegas. Hoje, tendo um pouco mais de maturidade, consigo perceber o quanto mudei nesse quesito e, principalmente, o fato de que o julgamento alheio não me afeta como antigamente.
Imagem via Pinterest
Entretanto, admito ser um pouco cética em relação à minha geração (caso você não saiba, pertenço à tão polêmica Geração Z). Nunca se ouviu falar tanto sobre inclusão, diversidade e respeito às diferenças. Apesar disso, o que realmente percebo é uma tolerância seletiva, uma vez que, para ser aceito, é necessário defender um ponto de vista específico e “levantar bandeiras” predeterminadas. Além disso, é uma geração que se diz livre de rótulos, mas para denegrir a imagem daqueles que pensam diferente, não medem esforços para inventar novos termos que futuramente integrarão o vocabulário deles. E, para mim, uma das coisas mais graves de tudo isso, é a falta de informação. Eu já perdi a conta de quantas vezes presenciei discursos de pessoas que, pasmem, raramente folheiam um livro. Ou, até mesmo, indivíduos que adotam “pessoas de estimação” e passam a repetir tudo o que este fala, sem pesquisar e analisar os argumentos, como um verdadeiro papagaio. E, por fim, há um comportamento muito acentuado de que somente esses grupos possuem “verdades absolutas”, visto que tudo o que não está dentro dessa “bolha” é considerado irrelevante e errôneo.
E é aí que eu me pergunto, como esperar que uma geração que é incapaz de respeitar o próximo, vá transformar o mundo em um lugar melhor? Eu acredito, sim, que todo debate é válido, desde que tenha fundamento e que não agrida aqueles que pensam distintamente.
Semana passada, li uma frase que me marcou bastante, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche: “O jeito mais seguro de corromper a juventude é instruí-la a ter mais estima por quem pensa igual a si do que por quem pensa de maneira diferente”. Acredito que essa frase se encaixa perfeitamente nas circunstâncias atuais, dado que a geração mais jovem é fortemente induzida a rivalizar com os opostos.
Depois de quase três anos imersa em uma realidade extremamente polarizada e, em breve, dando início a uma nova etapa na minha vida na qual ter a competência de se posicionar é imprescindível, reconheço que estar inserida nesse contexto foi essencial para o meu amadurecimento. Ultimamente, tenho pesquisado e estudado sobre diversos assuntos, além de conversar com pessoas que compartilham desse mesmo pensamento. Posso afirmar que, hoje, me sinto totalmente segura para expor meus posicionamentos, sempre buscando respeitar as divergências!
Mesmo sendo um cenário radical (que triste!), sempre procuro tirar o máximo de proveito das situações, me dedicando para compreender as oportunidades que existem em meio à tanta violência, intolerância e austeridade. Afinal, se tem algo que eu aprendi nesses últimos tempos, é que nós somos os únicos responsáveis por transformar a realidade ao nosso favor!
Hoje resolvi falar sobre uma das minhas maiores paixões: moda! Desde criança, sou fascinada por tudo relacionado à esse universo, e sempre gosto de pesquisar e me informar sobre essa arte que está presente na sociedade há alguns milênios. Entretanto, é um fato que a moda é rodeada por vários tabus e, mesmo que estejamos no século XXI, ainda é alvo de muitos preconceitos.
A moda, como tudo na vida, possui, sim, uma face controversa, como a exploração de recursos e pessoas, por exemplo. Entretanto, o que muitas pessoas se recusam a pesquisar e a aceitar, é o outro lado da moda. Sim, aquele que impulsiona economias, revoluciona os modos de vida, proporciona oportunidades, promove a nossa constante reinvenção e nos faz descobrir o mundo sob diferentes perspectivas (vou parar por aqui, porque essa lista é imensa!).
O hábito de se vestir, seja por necessidade ou vontade, perdura na sociedade há alguns milênios. Quando pensamos na “Pré-História”, normalmente associamos essa fase com um período de descobertas e transformações e, para se adaptar às condições da época, o homem buscava, através dos recursos disponíveis, maneiras de se proteger e abrigar. Nesse caso, a população utilizava peles de animais, com o intuito de aquecimento. Contudo, conforme o tempo foi passando, e a noção de uma sociedade organizada começou a surgir, o homem deu início a um processo de busca, para encontrar diferentes maneiras de adequar o vestuário em cada esfera social. Além disso, ao longo da história, é possível contemplar vários momentos em que a moda foi responsável por mudar radicalmente o modo de vida de uma determinada parcela da sociedade, como foi o caso de Coco Chanel. Durante a 1ª Guerra Mundial, e o período anterior à esta, Chanel foi a responsável por transformar, drasticamente, o cenário da moda feminina. Em uma época na qual as mulheres não tinham poder para a tomada de decisões, a estilista expunha opiniões como “As mulheres põem até fruteiras na cabeça. Como um cérebro pode funcionar lá embaixo?”, frase declarada por ela. Logo, criou, através da incorporação de alguns elementos do vestuário masculino, um novo estilo para as mulheres daquele tempo. Os comprimentos das saias e vestidos subiram e os tailleurs fabricados em tweed, tomaram o lugar dos espartilhos, possibilitando que as mulheres tivessem mais liberdade e se adaptassem à nova realidade imposta pela Guerra e, também, para que expandissem seus horizontes acerca do significado que está por trás de uma roupa.
Um dos clássicos da Chanel: o Terninho com Saia
Outro estilista que também foi profundamente responsável pela ressignificação das vestimentas de uma época, foi Christian Dior. Em um período no qual a Europa estava devastada pelos horrores deixados pela 2ª Guerra Mundial, Dior, que havia inaugurado sua maison entre 1946 e 1947, promovia o New Look. Foi na tarde de 12 de fevereiro de 1947, que o estilista francês apresentava ao mundo a sua coleção, a “Linha Corola” ou “Linha 8”. Carmel Snow, redatora-chefe da Harper’s Bazaar, espalhava para os “quatro cantos do mundo”, a excelência do New Look proposto por Dior. Em um período no qual as pessoas lidavam com as ruínas deixadas pela Guerra, Dior presenteava a sociedade com a beleza de seus figurinos, recuperando o que havia sido perdido para as atrocidades da guerra. Para Christian Dior, o fim da Guerra simbolizava um novo momento para a humanidade, no qual a felicidade deveria reinar e, grandiosamente, alcançou este propósito através de suas criações, sendo imortalizado, até hoje, pelas novas gerações, que o encaram como uma fonte de inspiração.
Um dos looks mais icônicos de Dior: Tailler Le Bar
Toda vez que eu ouço alguém falando que a moda é superficial e não traz benefícios para o âmbito social, sempre gosto de citar um exemplo. Há uns anos, estava assistindo um programa que falava sobre moda no Brasil, e um dos casos que eles mostraram foi o do Projeto Ponto Firme. Idealizado por Gustavo Silvestre, artesão e designer, essa iniciativa objetiva a ressocialização de detentos, através da moda. Guiados por algumas pessoas da área, como artistas plásticos, costureiros e estilistas, os grupos aprendem sobre a logística da criação de uma coleção e estudam sobre diversos repertórios. Em 2018, uma turma de detentos teve uma grande oportunidade: apresentar seus trabalhos na primeira edição da São Paulo Fashion Week daquele ano. Nas peças, é possível ver elementos que denotam sobre a realidade na qual eles estão inseridos, além de ser uma forma célebre de se expressar e mostrar para o mundo o verdadeiro “eu”. Esse caso exemplifica um dos maiores objetivos da moda: a possibilidade de se reinventar, transformando a si mesmo e a realidade à qual você pertence, através de uma maneira digna e libertadora.
Coleção Projeto Ponto Firme
Coleção Projeto Ponto Firme
Para a economia, a moda é um setor muito importante, afinal, é avaliado em U$ 3 trilhões, no mundo todo. Além disso, quando pensamos na intensidade do comércio, é considerada como a segunda maior atividade econômica mundial. E, ainda, de acordo com Frances Corner, historiadora e acadêmica de design e arte, especializada em moda, esse setor da economia é responsável por empregar mais de 57 milhões de pessoas, em países em desenvolvimento. Ademais, como foi citado anteriormente, no período em que a Europa estava arrasada pelas consequências das Guerras, a moda foi importante como uma maneira de ajudar a impulsionar a economia, uma vez que estilistas buscavam novas opções de materiais e recursos para a criação das coleções, como foram os casos de Chanel e Dior.
Isso é apenas um fragmento do que essa arte tão ilustre representa. Reflexo de uma época e de uma sociedade, a moda pode ser encarada como um grito de liberdade. As roupas, em suas mais diversas formas e histórias, simbolizam o nosso íntimo e como nos apresentamos ao mundo. Provocativa e inovadora, a moda apresenta um papel fundamental no mundo: instruir um olhar crítico, mas ao mesmo tempo sensível, capaz de enxergar o mundo sob diferentes perspectivas. É dar voz às diferentes culturas e costumes, em prol de ampliar o respeito pelas diferenças. É uma arte que ensina, diariamente, que é preciso ter coragem para sermos nós mesmo e assumirmos nosso papel no mundo.
Hoje resolvi trazer uma reflexão diferente por aqui. Gosto muito de ler sobre diversos assuntos e me informar sobre o que acontece no mundo. Considero que, ser adolescente no século XXI, é uma tarefa de extrema complexidade: constantemente somos bombardeados com acontecimentos que ecoam dos “quatro cantos do mundo”. Obviamente, é um cenário que possui benefícios, visto que nos estimula a pesquisar e querer saber mais sobre os fatos. Mas, como tudo na vida, também há um lado negativo: com tantos acontecimentos simultâneos, saber em quem confiar é uma missão impossível (por isso a importância de ler!).
Há alguns dias, me deparei com o seguinte termo: “Cultura do Cancelamento”. A princípio, não entendi, e resolvi pesquisar o que era essa expressão que estava tão em alta nas redes sociais. Depois de entender esse conceito (se você não sabe o que isso significa, a Cultura do Cancelamento é, basicamente, o ato de excluir uma pessoa ou marca, devido a um erro ou conflito de opiniões), alguns questionamentos começaram a pairar na minha mente, afinal não é novidade para ninguém que o grande lema declarado pelos jovens dessa geração é o respeito pelas diferenças. Em primeiro lugar, é notável o tom hipócrita existente nesse comportamento, e já te explico o porquê. Nesses últimos tempos, tenho observado em diversos lugares, uma extrema intolerância por parte de grupos que dizem pregar a paz e a aceitação ao próximo. Porém, depois de assistir essas mesmas pessoas “cancelando” as posições contrárias, o que eu realmente percebo, é a existência de uma tolerância seletiva: só é respeitado quem pensa de uma determinada maneira e compartilha dos mesmos ideais. E isso me preocupa imensamente.
Recentemente, comecei a perceber uma certa conduta: para alguém ser considerado um “intelectual”, é preciso assumir um certo posicionamento político determinado por outrem. Me pergunto como alguém pode se sujeitar a tal, abdicando de suas próprias convicções em prol de fazer parte de um dado movimento (mas é isso que está na moda atualmente, não é?). Sinceramente, eu sempre tive horror a isso. Na minha opinião, rotular seus pensamentos, é limitar a si mesmo… e isso é uma tremenda banalidade. Além disso, um outro ponto muito perceptível nesses grupos existentes atualmente (sim, aqueles que pregam o amor e respeito pelas diferenças), é a supervalorização de seus ideais, considerando-os como verdades absolutas.
Ao que parece, é o fato de que esses indivíduos estão imersos em uma “bolha”, uma realidade alternativa criada por eles, na qual eles escolhem e filtram o que deve entrar ou não. E é aí que eu me pergunto: o que eles estão aprendendo com isso? Se o principal objetivo desses movimentos é tornar o mundo um lugar melhor, questiono o motivo de tanta violência e discursos de ódio mascarados de manifestações que pregam a empatia, o respeito e o amor ao próximo.
Na sociedade atual, pertencer à um determinado movimento é sinônimo de superioridade moral e intelectual. Para mim, é sinônimo dos seguintes fatores: narcisismo exacerbado, visto que, assim como no conto de Narciso, consideram feio o que não é espelho; além disso, também pode ser encarado como marketing pessoal, pois é preciso assumir um papel predeterminado para suprir a necessidade de ser aceito; outro fator que precisa ser levado em conta, é a falta de informação presente em muitos discursos (e muitas vezes de pessoas que são consideradas ícones e adoradas por muitos), uma vez que a grande maioria acredita que basta sair repetindo o que todo mundo está falando no momento, para ser considerado inteligente; e, por fim, o medo irracional desses indivíduos de encarar a vida como ela realmente é. É muito mais simples acolher e aceitar os que são semelhantes, mas o verdadeiro aprendizado e uma transformação genuína, é quando somos capazes de olhar para os nossos “opostos” e respeitarmos verdadeiramente o conjunto que forma essa pessoa.
Apesar de tudo, eu acredito em um mundo melhor, sim. Mas para isso, considero que a sociedade deveria ser formada por diálogos, e não monólogos emanados por uma quantia seleta de grupos sociais.
Por estudar e sempre me informar sobre diversos assuntos, me senti segura para vir compartilhar um pouquinho do que eu acredito! Vale ressaltar que, para mim, o respeito ao próximo deve estar presente sempre, sem qualquer exceção!
Nesses últimos dias tenho pensado muito em tudo o que está acontecendo no mundo, e estou aproveitando para refletir sobre muitas coisas. Em um momento tão difícil enfrentado por todos nós, me entristece o fato de que as pessoas estão cada vez mais suscetíveis à conflitos e episódios violentos. Em um período no qual todos deveriam se unir em prol de um bem maior, os muros construídos ao redor de cada indivíduo tornam-se cada vez mais evidentes e imutáveis.
Confesso que nessas últimas semanas tenho me sentido à deriva. Hoje, dia 7 de junho de 2020, deveria estar prestando o vestibular que eu sonho há tanto tempo. É engraçado pensar em como a vida nos surpreende a cada dia e nos mostra que é simplesmente impossível controlar todas as coisas. No meu caso, terminar o ensino médio e iniciar uma faculdade. Entretanto, com tudo o que tem acontecido nesses últimos meses, comecei a perceber a infinidade de possibilidades e caminhos a serem trilhados. Acho que talvez esse seja o “ponto-chave” de estar inserido em uma crise: a possibilidade de se reinventar e começar a se enxergar de outras maneiras. E no meio de tanta coisa ruim que nos acomete diariamente, me permiti pensar em diferentes caminhos que eu poderia trilhar nesse futuro incerto que nos aguarda.
Foi aí que eu descobri o que estava me deixando extremamente angustiada: no meio de tanta incerteza sobre o que acontecerá nos próximos capítulos, será que realmente vale a pena iniciar a minha tão sonhada faculdade em 2021? E então, após incontáveis momentos de reflexão, encontrei a tão esperada resposta.
Acho que ligar o botão do piloto automático é um momento recorrente na vida de todos. Ficamos tão atônitos com a correria do cotidiano, que simplesmente esquecemos de olhar ao nosso redor e viver intensamente. Todavia, apesar de parecer a solução mais fácil, é de longe a menos recompensadora. Quando não nos permitirmos arriscar e dançar fora do ritmo, deixamos de compreender sobre o mundo que vivemos e principalmente sobre nós mesmos. Ter coragem para lançar-se no desconhecido é assumir a possibilidade de cair, mas sem dúvidas, aprender muito com cada tombo.
E foi pensando nisso, que eu tomei uma das decisões mais importantes da minha vida até hoje: decidi me presentear com um ano. Sim, um ano sabático! Decidi adiar a faculdade para quando eu sentir que for a hora certa. Tenho 16 anos (quase 17!) e nenhuma pressa. É muito forte dentro de mim o que quero alcançar na minha vida, e tenho plena certeza de que, no tempo certo, vou conquistar tudo isso! Mas acredito ainda mais, que esse ano sabático será uma oportunidade incrível. Vou tirar do papel projetos que eu sonhei a minha vida inteira, desde coisas mais simples, como aprender francês, até as coisas mais complexas que eu já desejei.
É impossível saber como será, porém, dentro de mim, algo me diz que vai ser um processo gigante de amadurecimento e, principalmente, uma intensa jornada de autoconhecimento…e eu tenho certeza que será fantástica!
Hoje resolvi falar sobre um filme, afinal, nada melhor do que aproveitar um final de semana para colocar nossa lista em dia e conhecer novas produções. Decidi fazer esse post sobre o meu favorito: Sociedade dos Poetas Mortos.
Dirigido por Peter Weir e lançado em 1989, Sociedade dos Poetas Mortos retrata a relação entre o professor John Keating e estudantes de uma escola de alto padrão, que adota métodos de ensino tradicionais. O professor utiliza ferramentas nada convencionais ao ensinar os alunos não somente o que está nos livros, e sim, sobre a vida.
Nunca me esqueço da primeira vez que eu assisti: tinha 10 anos e sabia muito pouco sobre a vida. Minha mãe foi a responsável pela minha história com esse filme. Assistimos juntas e minha visão de mundo definitivamente mudou depois disso.
O filme, que aborda tantas questões com tamanha sensibilidade, é uma reflexão genuína sobre o significado de estar vivo. Ele nos entrelaça em uma série de questionamentos, como: a importância de acreditarmos verdadeiramente nos nossos ideais e a importância do autoconhecimento para que sigamos caminhando no nosso próprio caminho, sem medo do que os outros irão pensar; cada ser é único, e isso é uma das coisas mais incríveis, pois nos permite enxergar os pequenos detalhes por diferentes perspectivas; que todos temos ferramentas para contribuir no mundo, não importa se você é um poeta ou um advogado, são partes que não se anulam, e sim, se somam; e por último (e para mim, o mais lindo de todos!), Carpe Diem, fazer as nossas vidas extraordinárias e viver intensamente e verdadeiramente.
Você deve estar se perguntando: “Como uma criança de 10 anos pode entender tudo isso?” Pois é, é provável que eu realmente não tenha entendido. Mas eu não conseguia parar de pensar naquele filme. Talvez ele tenha despertado uma “sementinha” dentro de mim, que foi florescendo e me ensinando através dos anos, e ainda continua a gerar frutos maravilhosos.
É difícil escolher uma única cena do filme, pois cada uma tem um ensinamento único, e a maneira que elas se completam é magnífica. Entretanto, é difícil conter as lágrimas na última cena, quando todos os alunos levantam-se, sobem nas cadeiras e gritam em homenagem ao professor, em referência ao poema de Walt Whitman. É nítido o impacto que John Keating causou na vida dos alunos, visto que eles se transformaram e passaram a realmente valorizar o dia e a importância da educação para as nossas vidas. Como o próprio Mr. Keating disse, “Lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana é cheia de paixão.” Acredito que essa frase simboliza o verdadeiro sentido da educação na construção do nosso ser: dar voz às nossas paixões e ao que acreditamos, sempre em prol de um mundo melhor!
Hoje, posso dizer, sem sombra de dúvidas, que esse filme teve (e ainda tem!) um impacto gigante na minha vida. Pode soar meio clichê, mas ele me encoraja, constantemente, a trilhar meu caminho com a certeza de que nunca é tarde para recomeçar e que a verdadeira beleza está nas pequenas coisas. Tem sido uma aventura emocionante!
Espero que vocês gostem e se sintam em uma aula do professor Keating, e nunca se esqueçam: “Carpe Diem. Aproveitem o dia, meninos. Façam de suas vidas uma coisa extraordinária”!
Hoje vou iniciar, aqui no blog, os meus posts sobre livros. Admito que sempre fui uma devoradora compulsiva de livros e, mesmo assim, responder qual é o meu favorito se torna uma tarefa muito difícil. Acredito que cada livro nos marca de uma maneira distinta e em diferentes intensidades. Um dos mais especiais para mim é Terra Sonâmbula, do escritor moçambicano Mia Couto. Esta premiada obra retrata Moçambique durante os devastadores e sangrentos anos de guerra civil narrando, paralelamente, a viagem do velho Tuahir e do menino Muidinga, e também de Kindzu, um falecido que deixou um diário revelando seu percurso.
O livro, que tem como característica marcante o realismo mágico e a narrativa tradicional africana, tão presentes nas obras de Mia Couto, é um verdadeiro exemplo do clichê “a esperança é a última que morre”. Terra Sonâmbula aborda diversas questões, como: o conflito entre a Velha África e Nova África, evidenciando o choque entre gerações e como as transformações causam esse “estranhamento”; o medo sendo um fator limitante em nossas vidas, visto que nos impede de desbravar o mundo e sair da nossa zona de conforto; e principalmente, o sonhar, esse recurso tão importante em tempos difíceis.
Acho que este livro poderia ser um exímio retrato do que estamos vivendo atualmente. Não saber o que acontecerá no futuro é, sem dúvidas, um dos nossos maiores medos. Viver um dia de cada vez se tornou uma tarefa difícil. Cada um de nós com nossos conflitos internos e nossas guerras particulares tentamos seguir em frente com a esperança de que tudo isso vai passar, mas questionamentos do tipo “como serão as coisas depois que tudo isso acabar?”, “será que algum dia iremos voltar ao normal?” ou “será que isso terá um fim?”, rondam nossos pensamentos, acabando por nos desviar do caminho que tanto sonhamos.
Eu mesma já me peguei refletindo sobre isso várias vezes, e a resposta, impossível dizer.
O meu trecho favorito do livro (que me faz chorar todas as vezes!) é a seguinte fala de Tuahir: “O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro.”. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu li e reli essa frase, mas parece que toda vez é um ensinamento diferente. Esses dizeres podem não ser suficientes para responder àquelas perguntas mas, com certeza, nos fazem querer acreditar num futuro melhor. Nos faz perceber que sonhar é o melhor remédio para esses dias difíceis, pois nos permite olhar para dentro de nós mesmos e entender o que realmente importa. Não é uma tarefa fácil, pois lidar com os nossos próprios conflitos exige muita coragem, mas acredite, o resultado pode ser extraordinário!
Esse livro já me ensinou e ainda me ensina tanto sobre a importância da coragem, que nos permite alçar voos inimagináveis; mudar, apesar de parecer aterrorizante, nos traz muitos aprendizados; mas, principalmente, que sonhar, mesmo nas condições mais árduas, é um elemento indispensável para seguir vivendo!
Querido leitor, espero que esse livro seja, para você, tão transformador quanto foi para mim! Que você possa aproveitar essa viagem ao lado de Tuahir e Muidinga, e aprender sobre as coisas mais valiosas da vida!
Fazia tempo que eu não escrevia. Acho que a correria do dia a dia não me deixava prestar atenção no que estava acontecendo aqui dentro. Escrever sempre foi meu maior refúgio. A minha maneira de me enxergar, desde os sentimentos mais genuínos até os meus maiores medos. Nunca tive dúvidas de que a escrita sempre estaria presente na minha vida. Mas com a loucura que é o nosso cotidiano, acabei por deixar isso de lado. Num estalar de dedos somos surpreendidos, e, de repente, o excesso de tempo me levou a refletir sobre mim mesma. Aos poucos vou reestabelecendo minhas prioridades e refletindo sobre minhas escolhas, e percebo o quanto sou apaixonada por escrever. O meu futuro está logo ali, e nesse momento de tantas incertezas sobre o que acontece no mundo, escrever me impulsiona a acreditar em tudo o que eu vou realizar.
Escrever é libertador (e eu nunca me senti tão livre).